Encontros no elevador!

Passou-se das 23h, e eu chegando da universidade... Nessas horas os corredores do meu prédio ficam tão vazios. Estava me rastejando por eles até chegar à porta do elevador. Nem estava me importando em correr, mesmo querendo chegar logo em casa (Meus dias são tão cansativos que quase me falta energia para voltar para casa). Quando cheguei perto do elevador, fiquei surpresa ao ver que tinha alguém segurando a porta do elevador para mim (existem almas caridosas no meu prédio). A surpresa se deu pelo fato da menina estar voltando da escola àquela hora, e aparentar ser bem novinha. Nunca encontro pessoas mais novas do que eu depois das 23h no elevador. Estranho! Assim que entramos, ela se encostou (se jogou) sobre a “parede” do elevador e deu um grito. Um grito de alívio. Quase gritei junto com ela. A menina estava tão exausta que nem se importou com a minha presença, liberou toda a tensão que estava sentindo ali mesmo. Pela mochila que ela carregava nas costas, eu imaginei que era mais do que necessário ela liberar toda aquela agonia. Eu estava tão imersa na minha inveja por não ter coragem de liberar a minha tensão também, mal pude a ouvir desabafando antes dela sair do elevador. Consegui ouvir apenas “é! a vida é dura!” e pronunciei poucas palavras para concordar com o que ela dizia, mas não sei se ela conseguiu ouvir. Estivemos por uns 5 segundos dentro de um elevador trocando energias que não existiam, e compartilhando o sofrimento de um dia corrido e cansativo. E pensar que ela só está começando a luta do dia-a-dia... E eu também. Enfim, cheguei em casa! Boa Noite!

O fantástico mundo universitário!

  
  Faz pouco tempo que eu passei no vestibular, e por isso as pessoas ficam me perguntando como está a minha universidade e se eu estou gostando. Eu ainda não sei se estou mesmo gostando. Gosto das minhas aulas, gosto da grade curricular e gosto dos conteúdos, mas não gosto da cultura dos alunos. Não sei se essa cultura fica limitada a minha faculdade ou se acontece nas outras também.
 
Eu consegui. Passei para uma universidade pública para o curso que eu queria. Só não imaginava a nojeira que é uma universidade na maior parte do tempo. Gosto do acréscimo de conhecimento, compartilhamento de ideias e discussões que contribuem para a formação de opinião. O problema é que a gente encontra muita hipocrisia por trás desses discursos geniais. Muitos seres pensantes que, na verdade, não pensam nada,
  Se o futuro do País depende de nós, isso explica porque o Brasil tem tantos problemas. Fico besta com as salas de aulas com 10 alunos, quando deveriam ter 50. Onde estão os outros 40 alunos? No bar, talvez. Tento entender  porque esses alunos competem uma vaga com milhares de pessoas. Pode ser que fizeram a prova apenas para provar para alguém que era capaz de conseguir uma vaga super disputada. É revoltante saber que muitas pessoas dariam tudo para ter uma oportunidade dessas, que valorizariam bem mais a vaga do que qualquer outra pessoa, e que meu amiguinho de turma só está se importando se ele ganhou a presença dele na chamada.
  Às vezes, fico pensando que eu tenho que ignorar tudo isso, mas tem sido complicado. Se a pessoa está na sala e dorme até a hora da chamada, o problema é todo dela em querer só a presença. Só que essa semana eu fiquei pasma quando, na aula de uma professora que espera que a turma faça uma lista de presença, chegaram duas listas de presença em que uma delas foi feita no dia anterior por alunos que faltariam o dia seguinte. Na sala tinham 10 pessoas, e as listas tinham uns 40 nomes. Só pensei uma coisa “é na mão dessas pessoas que está o futuro da nação”.
  É muito lindo ver estudantes indignados, lutando por um ideal, discutindo com professores que trazem matérias defasadas, batucando e fazendo dança da chuva pelos corredores, só que a gente fica puto quando acompanha de perto essa galera que não está nem um pouco interessada em aprimorar os conhecimentos e contribuir para que a aula se torne mais interessante. É o tipo de gente que se acha muito foda para assistir aula, e se assiste,discute com o professor (afinal, eles sabem bem mais que o cara que é PhD no assunto)...
  Apresentações de seminários é um inferno. No semestre passado um professor teve que dizer que teriam questões das apresentações na prova para que os alunos não debandassem das aulas. À medida que o seminário vai acontecendo, a turma vai diminuindo. Tem aqueles heróis que só aparecem no dia de apresentar e só aparecem se rolar alguma avaliação. O mais engraçado é que ficam compartilhando coisas sobre o governo corrupto, como se assinar o nome do amiguinho ou pedir que o amiguinho assine na lista de presença fosse super correto.
  Enfim, é o fantástico mundo universitário. Poderia não ser necessário um professor fazer chamada, poderia não ser necessário um professor cobrar questões das apresentações do seminário, poderia não ser necessário o professor fazer pequenas ameaças para que alunos maiores de 18 anos (muitos já trabalham) assistam às aulas. Afinal, eles fizeram uma prova para estar ali. Assistir as aulas é o mínimo que eles poderiam fazer para no futuro contribuírem, de alguma forma, com a população que se ferra pagando impostos quem pagam a universidade deles.  Eu agradeço que ainda exista uma minoria que faz a diferença.